Arquivo para Julho, 2008

Absinto… sinto… não sinto… ou sinto?

Quem me conhece já sabe, não troco minha Jose Cuervo por nenhuma bebida. Mas eis que numa noite, na falta da tequila, me deparo com uma garrafa de líquido suavemente esverdeado e muito convidativo: Absinto.

O absinto é conhecido também como Fada Verde, devido a supostas alucinações de apreciadores que alegam terem visto seres “místicos”. Não duvido deles, já que a bebida chegava a conter quase 90% de graduação alcoólica. Além disso, a “losna” (Arthemisia Absinthium), erva utilizada na preparação da bebida, contém substâncias alucinógenas. Creio que, nessas circunstâncias, uma fada verde é a coisa mais normal de se ver.

Eu, que nunca havia experimentado, fiquei tentada. Pensei um pouco,  criei coragem… Tomei o primeiro gole bem devagar. Confesso que me deu um pouco de medo, por já ter ouvido algumas histórias sobre a bebida, que inclusive já havia sido proibida por levar seus apreciadores à loucura e causar a morte de alguns deles. Li em algum lugar que atribuíram ao absinto a culpa pelo comportamento “esquisito” de Van Gogh.

Enfim, acabei bebendo, afinal há quem diga que eu já tenho um comportamento esquisito mesmo, não é verdade? 

No Brasil a comercialização de absinto foi legalizada, mas com uma graduação alcoólica bem inferior e também não contém losna (ok, perdeu metade da graça…) Então… Bebi mesmo e gostei. Ele tem um ótimo sabor, que disfarça seus 53% de álcool. Isso mesmo! Uma paulada de álcool puro! Maravilha!  Se for experimentar, não se assuste ao notar nas paredes um fantástico aspecto esverdeado, composto com pinceladas expressionistas… (Ai meu Deus, será que foi encosto do Van Gogh?)

Quanto à Fada, não posso afirmar com certeza se a vi. O que vi foram belos olhos, e sim, eram verdes. De vários tons de verde. Talvez a fada estivesse ali, dentro daqueles olhos. Ou talvez fosse muito álcool nas minhas idéias mesmo… É… Talvez seja o álcool… Preciso parar com isso.

Lorena Lins

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